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A todo momento reescreve-se a História da Humanidade. Seja através das grandes realizações das personalidades que atuam ativamente no cenário global ou por meio da vida cotidiana que se modula e se transforma constantemente. E assim, nessa ciranda, uma nova História se faz presente. Líderes surgem com a mesma velocidade que outros desaparecem. E será que esse legado deixado por grandes nomes da História pode nos ensinar algo? O que o meio empresarial tem a aprender com eles?
Uma consulta ao historiador Fábio Paiva pode elucidar algumas dessas questões. “Os executivos de hoje podem aprender e muito com esses líderes, tanto com seus acertos, quanto com seus erros”, diz ele. Paiva acrescenta que a atuação dessas lideranças sempre refletiu um contexto histórico que permeava a sociedade. Logo, as atuais lideranças, além de se espelharem em heróis do passado, devem “traduzir em atitudes e realizações, os anseios latentes da sociedade”.
Quando Churchill, Napoleão, Gandhi, Mandela e Zumbi dos Palmares fizeram acontecer no passado, jamais imaginariam que seus legados seriam tão inspiradores em pleno século 21. Eles simplesmente fizeram o que tinha de ser feito naquele momento, naquele contexto social. A seguir, vejamos como a experiência de cada um pode servir de lição para o mundo empresarial.
Winston Churchill (1874 - 1965)
Foi o primeiro-ministro inglês de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Após assumir o cargo, em 1940, conclamou o povo britânico à resistência. Aproximou-se do presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, visando a entrada definitiva dos americanos na guerra.
Era dono de uma ótima oratória, que contribuiu para aumentar a auto-estima da população massacrada pela guerra. Em 1945 perde as eleições para os trabalhistas (ele era do Partido Conservador), mas volta ao cargo em 1951 (e fica até 1955). É considerado um dos maiores estadistas da História.
Churchill foi um símbolo de perseverança e de resistência. Quando a Inglaterra estava sendo bombardeada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, grande parte da população inglesa já dava como certa a ocupação alemã. Mas ele não. “Ele foi o ícone dessa resistência. Além disso, utilizou-se muito da cooperação com outros Estados, como os EUA, ou seja, desenvolveu uma importante estratégia de alianças”, diz Paiva.
Para os dias de hoje, talvez a maior lição deixada por Churchill seja a da liderança cooperativa, ou seja, se valer de alianças e cooperações estratégicas para exercer uma liderança no ambiente de trabalho. Além disso, sua resistência em tamanha situação adversa é admirável. “Churchill é uma inspiração em resistência mesmo quando tudo parece estar perdido”, avalia Paiva.
Napoleão Bonaparte (1769 - 1821)
Com apenas dez anos de idade, Napoleão Bonaparte foi enviado por seu pai a uma escola militar. Sua grande determinação fez com que ele chegasse ao cargo de tenente de artilharia aos tenros 19 anos de idade. Aos 27, já era general e o fascínio que exercia frente aos seus soldados só crescia. Com 30 anos, se tornou cônsul da França, o que equivalia ao poder máximo.
Acostumado às vitórias, Napoleão sempre queria mais. Tornou-se imperador da França em 1804 e, a partir daí, iniciou a conquista da Europa continental (com exceção de Portugal e Grã-Bretanha). Encontrando forte resistência em dominar seus inimigos ingleses, instituiu um bloqueio naval comercial ante estes.
Na investida contra a Rússia, Napoleão conhece o revés. Fiel aos seus princípios, ele resistiu em fazer uma mudança de estratégias e acabou sendo derrotado. Seu poder e sua liderança nata não foram suficientes para enfrentar o rigoroso inverno siberiano. “Quando ele resistiu em lutar contra o inverno russo, ele estava fiel aos seus princípios de acreditar em seu poder mais do que qualquer outra coisa”, observa Paiva. “Então aquilo que conseguiu mover Napoleão para um domínio continental europeu também explica sua derrota”, complementa.
Napoleão errou em não mudar sua estratégia e foi teimoso em acreditar que seria vitorioso quando tudo indicava uma derrota. Um líder sempre deve rever suas atuações, abrir espaço para diálogos quando a situação se torna adversa. Ele também deve saber a hora certa de parar, ou seja, controlar a ganância. São os ensinamentos que levamos da etapa final da fase de domínio de Napoleão Bonaparte.
Napoleão ainda governaria a França até 1814, quando foi deposto. Voltou ao cargo no ano seguinte (Governo dos Cem Dias), mas foi preso novamente e enviado a Ilha de Santa Helena, onde findou seus dias, em 1821.
Mahatma Gandhi (1869 -1948)
Alguns líderes exercem por mais tempo o poder de visionários que lhes cabe. Foi o caso do indiano Mahatma Gandhi, que além de libertar seu país, evitou um conflito entre hindus e muçulmanos, que depois resultaria em dois estados diferentes (Índia e Paquistão).
Gandhi, entretanto, soube compreender a situação de seu país e lutou com a arma que seu povo tinha à mão: a resistência pacífica. “Líderes dão significado às coisas que as pessoas fazem e acreditam no seu dia a dia. E nesse ponto, Gandhi foi um grande líder: transformou em atitude aquilo que era um anseio latente”, garante o historiador Paiva.
O grande legado de Mahatma Gandhi é: capte no ar o que está acontecendo e traduza em atitudes, em novos empreendimentos, novas maneiras de se administrar um negócio. “Temos que ser sensíveis para percebermos novas possibilidades”, adverte Paiva.
A história de Gandhi confirma essa percepção. Ele formou-se em Direito em Londres, atuou na África do Sul e voltou para sua terra natal para comandar a libertação de seu povo frente aos ingleses. Não usou armas, apenas a resistência civil.
Mahatma Gandhi se destacou como um líder que não lutou com as armas do inimigo. Pregava a não-violência, incentivou os indianos a resistirem de maneira pacífica: boicotando produtos importados e não obedecendo às ordens dadas pela Coroa Inglesa. Em 1942, comandou o movimento “Deixem a Índia”. Tamanha liderança e coragem lhe custaram a vida: em 1948 foi assassinado por um extremista muçulmano.
Nelson Mandela (1918)
Advogado de formação, Nelson Mandela envolveu-se ativamente na luta contra o apartheid, regime de segregação racial promovido pela minoria branca que comandava a África do Sul. Desde a década de 40, ele passou a integrar o CNA (Congresso Nacional Africano), de oposição ao apartheid. Comprometido com não-violência, o CNA aceita pegar em armas após o massacre de Sharpeville (21 de Março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180.
Em 1962, após anos de atuação anti-apartheid, ele é preso e condenado à prisão perpétua. Durante os 28 em que permaneceu preso, sua libertação foi sempre clamada pelos negros sul-africanos e pela população mundial. Em 11 de fevereiro de 1990, o então presidente Frederik Willem de Klerk ordenou sua libertação. Livre, foi um dos grandes responsáveis pelo fim do regime racista. Seu grande poder de fascínio que exercia pela população local o levou ao cargo de presidente do país, em 1994, o primeiro negro da história.
Tendo passado a maior parte de sua vida preso injustamente e para depois libertar sua pátria do apartheid e ser o primeiro negro a governar a África do Sul, Mandela é, sem sombra de dúvidas, uma liderança a ser exaltada e estudada. Ele tem muito a nos ensinar com suas lições de resistência, perseverança e idealismo.
“Eu acho que ele é inspirador não só para os executivos, mas também para muitas minorias”, pondera Paiva. Além disso, ele cita a sua capacidade de dar a volta por cima como grande ensinamento: “Ele sofreu grande humilhações, foi preso, mas nem assim perdeu o foco e seu ideal. Ele nos ensina a não jogar a toalha nunca, nem mesmo quando a situação parecer ser a pior possível.”
Zumbi dos Palmares (1655 - 1695)
Zumbi nasceu livre, nas Alagoas, mas com seis anos foi capturado e escravizado. Com 15 anos fugiu e com apenas 20 já era considerado um exímio estrategista militar. Junto a outros milhares de escravos que também haviam fugido do jugo dos opressores, Zumbi resistia no Quilombo dos Palmares, que em determinado momento chegou a contar com 20 mil habitantes.
Quando o líder Ganga Zumba aceitou a trégua com os portugueses, Zumbi não acatou a decisão e passou ele mesmo a comandar o Quilombo. Em 1695 foi morto e teve sua cabeça decepada e exposta em praça pública no Recife.
Zumbi é pouco exaltado pela historiografia tradicional. Sua liderança, entretanto, se deu em vários aspectos e sua atuação fez dele um herói nacional. Para Fábio Paiva, “mais do que a resistência racial, o que acredito ser mais inspirador nele é a capacidade de uma organização alternativa”.
Paiva ainda destaca que Zumbi é de grande inspiração para aqueles que se dedicam às causas sociais e comunitárias. “Além disso, foi um exímio administrador e um empreendedor nato”, diz ele.
fonte: CanalRH - www.canalrh.com.br


