

| acesso área restrita: |
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) informou em dezembro que o número de acidentes de trabalho registrados em 2008 cresceu 17% se comparado com o ano anterior. De acordo com o documento, em 2008, 747.663 trabalhadores sofreram algum tipo de ferimento ou dano físico enquanto realizavam suas funções, sendo que, em 2007, 659.523 pessoas se machucaram. Entre 2006 e 2007 o aumento foi de 29%. Prevenir, entretanto, nem sempre é uma tarefa complicada. Foi o que descobriu Aluisio Godoy, da Projetec – engenheiro que trabalha há cinco anos visitando canteiros de obra pela cidade de São Paulo.
Preocupado com o número de acidentes que não paravam de aumentar, apesar dos treinamentos e distribuição de material de segurança, ele resolveu reunir os trabalhadores para tentar descobrir a razão do problema. Ao ficar diante do grupo de funcionários ele percebeu algo curioso: nenhum deles usava óculos. “Era muito estranho que em um grupo de quase 60 trabalhadores ninguém tivesse alguma dificuldade para enxergar” comenta. “Resolvemos tirar a prova dos nove e levamos um oftalmologista à obra para realizar testes rápidos e descobrimos que quase metade dos funcionários tinha algum problema de visão e precisariam usar óculos.”
Hoje em dia, as consultas com o oftalmologista são obrigatórias antes de começar a trabalhar e, em caso de necessidade, a empresa paga pelos óculos. “Com isso conseguimos reduzir o número de acidentes em mais de 35%”, conta Godoy.
Prestar atenção ao cotidiano dos colaboradores e oferecer treinamento e equipamento que previnam os possíveis acidentes inerentes à rotina deles é mesmo um bom negócio. Luanna Cabral, supervisora de Atendimento da Contax, que o diga. que o diga. Há mais de quatro ano na empresa, ela começou como operadora de telemarketing. Por isso conhece bem a rotina e os perigos da função e bate firme na tecla de criar condições favoráveis e seguras de trabalho é imprescindível para uma empresa que pretende oferecer serviços competitivos e de qualidade.
“No ramo de telemarketing, por exemplo, são grandes os riscos de desenvolvimento de doenças ocupacionais”, comenta. “Mesas e cadeiras anatômicas e até apoio para os pés, tudo é pensado para oferecer conforto e qualidade de vida para quem trabalha conosco; investir na segurança e conforto dos funcionários tem que ser uma das prioridades, afinal, eles são a base da empresa”, completa Luanna que em mais de dois anos atendendo telefonemas diariamente nunca precisou tirar licença-médica .
Investimentos
De acordo com o MTE, considera-se acidente de trabalho todo e qualquer incidente ligado ao exercício do trabalho que provoque lesão corporal ou perturbação funcional de caráter temporário ou permanente, podendo causar desde um simples afastamento, à perda ou a redução da capacidade para o trabalho e até mesmo a morte. Também se incluem nessa categoria os acidentes ocorridos no caminho entre a casa e o local de trabalho e as doenças adquiridas em função da atividade desempenhada ou das condições em que ela é realizada.
“Engana-se quem pensa que os acidentes de trabalho estão unicamente ligados a ferimentos causados por mau uso de equipamentos e máquinas; má postura, instalações impróprias, mobiliário inadequado, qualquer coisa que, de alguma forma, possa representar risco à saúde dos trabalhadores caracteriza um ambiente ou comportamento capaz de acarretar um acidente de trabalho”, explica a médica do trabalho Erotildes Machado.
Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a principal causa de afastamento do trabalho no Estado de São Paulo são as lesões por esforço repetitivo (LER), seguidas de perto pela dor nas costas. Ou seja, a forma de se sentar diante do computador, a realização de alongamentos ao longo da jornada de trabalho ou o jeito como se levanta uma caixa pesada do chão são tão importantes quanto a operação correta de uma máquina de grande porte.
“Embora pareçam menos graves, os acidentes de trabalho derivados desses comportamentos para os quais, muitas vezes, não damos atenção são igualmente perigosos e incapacitantes”, afirma a médica. “As empresas precisam estar atentar e orientar os trabalhadores de forma a evitar que esses acidentes aconteçam”, conclui Erotildes.
No que diz respeito à prevenção de acidentes de trabalho, o que pode parecer despesa acaba se mostrando investimento. Estima-se que os gastos com um trabalhador acidentado são quatro vezes maiores do que os com um funcionário na ativa. Custos com treinamento e seleção, além do possível atraso na produção devem ser computados na hora de fazer a conta para decidir se vale ou não a pena investir em melhores condições de trabalho. “Além das perdas diretas causadas por um acidente como gastos com assistência médica e a interrupção temporária da produção, por exemplo, é preciso considerar o impacto do ocorrido nos outros trabalhadores, o que afeta a cadeia produtiva como um todo; some a isso a potencial degradação do nome e da imagem da empresa no mercado: colocando tudo no papel, prevenir acidentes, além de mais barato, dá bem menos trabalho”, completa Erotildes.
fonte: CanalRH - www.canalrh.com.br


