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Cada vez mais utilizadas pelas empresas, as redes sociais surgem como um nicho de mercado para profissionais antenados com as novas tecnologias. Nos últimos anos, elas deram um salto de status nas empresas e deixaram de ser vistas como meros mecanismos de distração durante o expediente para se tornar poderosas ferramentas de contato com o consumidor. O resultado é que surgiu todo um novo mercado, cheio de oportunidades e pronto para absorver uma gama de profissionais conectados ao mundo da web 2.0, sobretudo na área de comunicação. Na hora do recrutamento, fica a questão: Quais as qualidades essenciais para o pessoal que vai promover a companhia em tempo real?
“Grande parte da demanda concentra-se nas empresas especializadas, as agências de mídia online. Mas as tomadoras desses serviços também começam a exigir de seus profissionais de marketing e comunicação conhecimento e experiência com essas novas mídias”, diz Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos, empresa que recruta e seleciona executivos para cargos de gerência e diretoria de companhias de grande porte.
A especialista explica que, geralmente, o profissional desejado não precisa ser necessariamente usuário de Facebook, Orkut, MySpace, Twitter e afins no âmbito privado, mas tem de conhecer bem a aplicabilidade dessas ferramentas para definir como poderão se integrar ao plano de marketing da empresa. Também, deve estar amplamente familiarizado com o negócio da companhia a fim de criar as melhores soluções na rede.
“Este é um mercado que ainda está amadurecendo. Poucas empresas têm em seus quadros um gestor de Redes Sociais, gerente de Comunidades ou analista de Redes Sociais”, avalia Jacqueline.
Mas a tendência, segundo ela, é que as companhias interessadas em conhecer melhor seu público procurem, ainda mais, profissionais de comunicação aptos a utilizá-las para estreitar o relacionamento com o público. Conectar-se aos consumidores via redes sociais é fazer pesquisa qualitativa em tempo real. O funcionário precisa, então, estar pronto para lidar com os resultados com a mesma agilidade, para atender o cliente na medida em que a necessidade aparece.
Especializações
Além de ter a capacidade de agir estrategicamente e com rapidez, o profissional interessado em trabalhar com redes sociais pode, também, se especializar no tema. As universidades já vislumbraram a oportunidade e, de olho nessa nova habilidade requerida, lançaram cursos de pós-graduação em Comunicação Digital e Gestão Integrada da Comunicação Digital
Rafael Rosenhayme, coordenador de Planejamento em Mídia Digital da Frog, empresa especializada em estratégias de marketing para Internet, acredita que o sucesso das iniciativas online é resultado de um casamento entre o profissional capacitado para levar os projetos adiante na agência e o tomador de serviço ciente do impacto que esse contato próximo tem sobre os negócios. “O cliente está acostumado a enviar o briefing, aprovar o produto final e depois receber um relatório. Mas o consumidor mudou”, explica. Esse novo público quer se sentir ouvido e são as opiniões enviadas por ele que vão ajudar os gestores a prevenir erros e criar novas estratégias de atuação.
Rosenhayme explica, ainda, que a demanda por projetos baseados nas redes sociais criaram a procura por um perfil diferente de funcionário também por parte da agência. “Hoje temos em nosso quadro pessoas com formação em história, biologia e outras áreas. Claro que o conhecimento em comunicação é importante, mas é essencial que o profissional esteja bem informado e ligado com as preferências do público, uma vez que as redes conectam as pessoas com a empresa 24 horas por dia.”
No currículo dos candidatos a uma vaga na área, uma lista extensa de experiências anteriores já não é tão imprescindível. “Este mercado abre o caminho para um funcionário de cargo júnior. Ele faz parte de um grupo que já nasceu usuário do computador e ouvinte de MP3. Além de saber utilizar as ferramentas, costuma ser curioso e oferece uma contribuição muito valiosa aos projetos”, completa.
Ecossistemas de interesses
O gerente Executivo da Cobra Tecnologia, Luiz Fuzaro, alerta, porém, que “o problema é que muitas empresas não têm uma cultura de internet que acompanhe o movimento” de crescimento das redes sociais. Segundo o especialista, que tratou do assunto na Campus Party 2010, falta à maioria das empresas dar um passo importante: Adequar toda uma estrutura interna à nova realidade. “As empresas fazem sites como se fossem vitrines, que ficam ali paradas, passivas, esperando um acesso, enquanto o grande crescimento do uso da web está nas redes de relacionamento.”
Leonardo Barci, sócio da consultoria youDb, realizou, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma pesquisa sobre o uso de redes de relacionamento por parte de 50 grandes empresas. Embora 98% delas saibam do que se trata o tema, apenas 58% já fizeram algum uso de seu conteúdo – a maioria apenas para buscar informações.
“As redes de relacionamento são como uma festa”, diz Barci, para em seguida explicar: “a empresa não deve chegar falando demais, esta é uma atitude mal vista pelos usuários”.
De acordo com o consultor, o cliente não quer saber de uma empresa que entra com um objetivo muito focado, como aumentar as vendas, por exemplo. Esta é considerada uma atitude grosseira.
As redes de relacionamento têm a característica de reunir pessoas em torno do que Fuzaro chama de ecossistemas de interesse. Mas, hoje, a maioria das empresas só pensa nelas pelo potencial de dispersar e distrair os funcionários do seu trabalho, diz ele. “O problema dessa visão é que uma nova rodada de novas formas de relacionamento vai acontecendo enquanto a empresa fica de fora, escondida”. Enquanto a companhia pensa que está em dia com a Internet porque mantém um bonito site, as comunidades que se formaram em torno dos temas em que ela está inserida podem ser muito mais críticas, ou mesmo destrutivas.
Empresas que não têm em seu DNA o trabalho com a Internet podem ser vítimas de um choque de cultura entre o que é dito pelos usuários da web, que tendem cada vez a ser mais importantes formadores de opiniões públicas, e suas posturas.
O recado de Fuzaro é bastante contundente: “Internet não é uma ferramenta só para fazer marketing fácil – ela tem que fazer parte da cultura empresarial”.
Redes bem utilizadas
Eis cinco exemplos de como as empresas aproveitam as redes sociais
- A Fiat lançou o www.fiatmio.cc e virou case mundial de trabalho com redes sociais. No site criado exclusivamente para o relacionamento com o público, a empresa reúne ideias, sugestões e preferências para depois projetar um automóvel.
- A árvore de Natal do Bradesco, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, ganhou aplicativo no Facebook e no Orkut, além de perfis neles e no Twitter e no Flickr.
- A Liquidação do Lápis Vermelho, dos shoppings Multiplan, usou as redes sociais para criar um burburinho em torno do negócio. Para tanto, uma das ações consistiu em escolher blogs relacionados a moda, consumo e comportamento nas praças em que o shopping atua para fazer uma intervenção gráfica.
- Os celulares MotoDext e MotoBlur, da Motorola, buscaram alguns formadores de opinião das redes sociais para uma festa vip de lançamento, transmitida ao vivo via Internet. Calcula-se que o buchicho tenha atingido 450 mil pessoas.
- A revista Playboy garante divulgação de todas as suas capas no Twitter. A próxima estrela a tirar a roupa, informações de bastidores, declarações das entrevistas exclusivas e teasers para as matérias instigam milhares de seguidores constantemente para garantir boa vendagem das revistas, além de exposição na mídia.
fonte: CanalRH - www.canalrh.com.br


